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  • 12 jan de 2026

A queda global na tolerância ao esforço no PDV: o que os números mostram sobre o novo comportamento de compra

A queda global na tolerância ao esforço no PDV: o que os números mostram sobre o novo comportamento de compra

O comportamento de compra está passando por uma transformação silenciosa, mas mensurável, dentro do PDV. Relatórios recentes de institutos como McKinsey, Kantar, NIQ e Euromonitor mostram que essa aceleração não está ligada à eficiência, mas à fadiga cognitiva.

O shopper atual tem menos disposição para comparar, explorar e decodificar. Neste artigo, você vai entender como essa mudança afeta leitura, permanência e conversão, por que o ambiente pesa mais do que preço em muitos contextos e o que varejo e indústria precisam ajustar para acompanhar esse novo comportamento de compra sem perder performance.

O comportamento de compra do cliente de 2026 está mais impaciente, e isso não é achismo

Relatórios recentes da McKinsey, Kantar, NIQ e Euromonitor mostram um movimento consistente: a disposição do shopper para “trabalhar” dentro da loja diminuiu de forma relevante. Enquanto isso, a Kantar aponta que, no Brasil, o tempo médio dedicado a categorias complexas caiu entre 6% e 12% nos últimos dois anos.

Por fim, a McKinsey registrou que consumidores em mercados maduros estão tomando decisões 30% mais rápidas em varejo alimentar e farmacêutico. Ou seja, não é aceleração por eficiência, mas aceleração por fadiga.

Menos tolerância ao esforço significa menos espaço para erros

Esses relatórios convergem em um ponto: o comprador está com baixa tolerância a ambientes que exigem energia mental. Segundo a NIQ, 47% dos consumidores abandonam categorias quando “sentem dificuldade para comparar opções”. A SBVC mostra que, em lojas de alto fluxo, categorias com excesso de estímulos têm queda média de 9% a 14% em leitura. Isso explica por que algumas marcas perdem relevância mesmo mantendo preço, verba e execução.

A inflação psicologicamente ativa o comportamento de proteção na compra

A Euromonitor destaca que, em cenários inflacionários, o consumidor tende a acelerar decisões para evitar sensação de risco. Isso se traduz em menos abertura para explorar produtos desconhecidos. O cliente prefere reduzir a análise para minimizar o desconforto. O PDV precisa trabalhar três vezes mais para comunicar valor em ambientes onde o cérebro está em “modo de proteção”. O impacto é direto: categorias consideradas “exigentes” caem em intenção, enquanto categorias simples sobem em velocidade.

A loja influencia mais do que o preço no comportamento de compra

Os mesmos estudos indicam que, quando o ambiente reduz o esforço, a probabilidade de o cliente ampliar o tíquete cresce entre 12% e 18%. Quando o ambiente aumenta, a permanência cai entre 8% e 13%. Isso mostra que parte do desempenho do varejo não está ligada a preço ou promoção, mas ao quanto a loja facilita pensar. Ambientes que exigem menos explicação convertem mais, independentemente do cenário econômico.

O PDV brasileiro segue um padrão próprio

Dados da SBVC apontam que o varejo físico no Brasil cresceu 2,4% em volume, mas perdeu profundidade de compra em segmentos onde a decisão exige interpretação. O shopper brasileiro é historicamente sensível à experiência dentro da loja. Ele avança rápido, muda de categoria com facilidade e demonstra baixa paciência para ambientes confusos. Essa combinação torna a previsibilidade do PDV um diferencial estratégico, não estético.

Execução não resolve quando o ambiente não sustenta

A NIQ mostra que 61% das perdas de conversão em categorias de alto valor vêm de problemas de percepção, não de abastecimento. O cliente “não vê”, “não entende” ou “não sente segurança” suficiente para avançar. Isso torna irrelevante parte da verba aplicada em comunicação. A execução entrega presença, mas é o ambiente que entrega leitura. Sem leitura, não há escolha. E sem escolha, não há conversão.

O que o novo comportamento de compra do cliente exige de varejo e indústria

Quando os estudos são reunidos, a mensagem é clara: o comportamento do cliente está mudando mais rápido que a adaptação das lojas. O PDV precisa reduzir esforço, organizar intenção e criar caminhos legíveis. Isso não depende de reformas, mas de precisão. A loja que entende essa dinâmica trabalha com dados, não com suposições. Ela ajusta o ritmo, distribui estímulos com lógica e cria condições reais para que o cliente decida. É assim que operações maduras se diferenciam.

A queda global na tolerância ao esforço redefine a forma como varejo e indústria devem pensar o PDV. O cliente não está apenas mais acelerado; ele está mais sensível ao ambiente. Estudos mostram que a compra depende menos de intenção e mais de condições para que essa intenção sobreviva.

A loja que reduz esforço, organiza estímulos e aumenta a legibilidade transforma comportamento em resultado. A que ignora isso perde vendas sem perceber onde.

Leia também: A camuflagem no PDV: quando o ambiente apaga produtos que deveriam liderar a venda

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